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Guia tributário · MCO E-commerce

Simples Nacional ou Lucro Real: qual regime paga menos imposto pra quem vende online?

Em e-commerce, a maioria dos comparativos esquece a parte mais importante: a despesa de marketplace. Esse guia mostra por que o Lucro Real costuma ganhar do Presumido em loja virtual, e quando ainda compensa ficar no Simples.

Leitura: 9 min Atualizado em abril/2026 Por contadores especialistas em e-commerce

O ranking real pra e-commerce — Simples, Real e (raramente) Presumido

A grande maioria dos materiais sobre regime tributário trata os 3 cenários como equivalentes. Pra e-commerce, eles não são. A ordem natural de migração, considerando a realidade de quem vende em marketplace, é:

  1. Simples Nacional — padrão pra começar e crescer até ~R$ 100-120 mil/mês de faturamento, com margem decente.
  2. Lucro Real — caminho natural quando a operação cresce. Permite deduzir cada despesa: comissão de marketplace, frete subsidiado, marketing pago, embalagem, software de gestão. Em loja com volume em ML/Shopee/Amazon, costuma vencer o Presumido com folga.
  3. Lucro Presumidohipótese remota. Vence em casos muito específicos: margem operacional alta (acima de 25%), pouca despesa dedutível, venda predominantemente em loja própria (sem comissão de marketplace).
Por que o Presumido perde tanto em marketplace: ele tributa uma presunção fixa de 8% de margem, mesmo que sua margem real (depois de comissão, frete e imposto) seja 5%. Você acaba pagando imposto sobre lucro que não existe.

Os 3 regimes em 1 minuto cada

Simples Nacional

Une 8 tributos numa única guia (DAS), com alíquota progressiva por faixa. Faturamento até R$ 4,8 mi/ano. É o regime padrão de quem está começando — alíquota efetiva começa em ~4% e sobe por faixa.

Lucro Real

Tributa o lucro efetivo da empresa: PIS/COFINS no regime não-cumulativo (com créditos sobre as compras) + IRPJ + CSLL sobre o que sobra depois das despesas. Toda comissão de marketplace, frete, marketing pago e custo operacional vira despesa dedutível. Ganha pra quem opera com margem espremida — caso típico de quem vende em marketplace.

Lucro Presumido

Tributa uma presunção de 8% de margem (comércio). Total efetivo de impostos federais ~5,93% do faturamento bruto. Não permite deduzir despesas. Bom só pra quem tem margem real bem acima da presunção.

Simulação prática — 4 faixas de faturamento (com despesa de marketplace)

Cenário típico de marketplace: comissão 18%, frete subsidiado 10%, marketing 6%, embalagem 3%, custo do produto 50%. Margem operacional real de ~13%. Tributação só de impostos federais (sem ICMS, que varia por estado).

Faturamento mensalSimples (DAS)PresumidoLucro Real
R$ 30.000 R$ 1.260 (4,2%) R$ 1.779 (5,93%) R$ 2.150 (~7,2%)
R$ 80.000 R$ 5.760 (7,2%) R$ 4.744 (5,93%) R$ 5.230 (~6,5%)
R$ 200.000 R$ 23.400 (11,7%) R$ 11.860 (5,93%) R$ 9.180 (~4,6%)
R$ 500.000 R$ 29.650 (5,93%) R$ 22.950 (~4,6%)
Leitura da tabela:
• Até ~R$ 80k/mês: Simples ainda é o melhor. Alíquota progressiva favorece faturamento baixo.
• Entre R$ 80k–120k: ponto de virada — vale simular caso a caso.
• Acima de R$ 150k–200k com despesa dedutível alta: Lucro Real vence.
Presumido raramente é a resposta nesse perfil de operação.
Atenção: a simulação acima é didática. O resultado real depende de margem efetiva, ICMS, ST, DIFAL, fator R, folha e dezenas de outros fatores. Use como referência, não como decisão final.

Por que o Lucro Real costuma vencer o Presumido em marketplace

A conta é direta. Numa loja que fatura R$ 200 mil/mês vendendo em marketplace:

Lucro Presumido

  • Base de cálculo IRPJ/CSLL: 8% de R$ 200.000 = R$ 16.000 (presunção)
  • Imposto: paga ~5,93% sobre R$ 200.000 (federais), independente de quanto realmente sobrou
  • Não deduz comissão (R$ 36.000), frete (R$ 20.000), marketing (R$ 12.000) — total R$ 68.000 de despesa que não conta

Lucro Real

  • Receita: R$ 200.000
  • (–) Despesas dedutíveis: ~R$ 168.000 (custo + marketplace + frete + marketing + folha)
  • Lucro real: R$ 32.000
  • IRPJ + CSLL sobre os R$ 32.000: ~R$ 7.680
  • + PIS/COFINS não-cumulativo (com créditos das compras) ≈ R$ 1.500 líquido
  • Total: ~R$ 9.180 (4,6% do faturamento) vs R$ 11.860 do Presumido
Quanto mais despesa dedutível, mais o Real ganha. Em marketplace, a despesa é estruturalmente alta — por isso o Presumido raramente é a melhor escolha.

Quando o Presumido ainda faz sentido (a hipótese remota)

Não é "nunca" — é "raro". O Presumido pode vencer quando:

  • Loja própria forte (Shopify, Nuvemshop, WooCommerce) sem marketplace ou com participação muito baixa de marketplace
  • Margem operacional real acima de 25% — produtos exclusivos, marca forte, sem desconto pesado
  • Despesa dedutível baixa — equipe enxuta, marketing orgânico, sem comissão de plataforma
  • Faturamento entre R$ 4,8 mi/ano e R$ 78 mi/ano — saiu do Simples mas não quer a complexidade contábil do Real
  • Operação simples — sem importação, sem ST complicada, fluxo previsível

Se o seu caso bate com 3+ desses pontos, vale calcular o Presumido também. Caso contrário, foco em Simples × Real.

O custo de manter cada regime

Não é só o imposto que pesa — a complexidade contábil também tem custo:

RegimeComplexidade contábilObrigações mensais
Simples NacionalBaixaDAS único + DEFIS anual
Lucro PresumidoMédiaPIS/COFINS/IRPJ/CSLL/ICMS separados + SPED
Lucro RealAltaTudo do Presumido + escrituração contábil completa, balancete mensal, ECD/ECF anuais

O Lucro Real exige um contador mais ativo e ferramentas de gestão melhores. Mas o ganho tributário em e-commerce de médio/grande porte costuma compensar o custo operacional adicional com folga.

Como decidir, na prática

  1. Levante seus números reais dos últimos 12 meses: faturamento por canal, margem operacional, despesas dedutíveis (comissão, frete, marketing, folha), proporção de venda interestadual.
  2. Simule os 3 cenários com esses números — não use simulador genérico que ignora despesa dedutível.
  3. Calcule o "ponto de virada": em qual faturamento mensal o Real começa a vencer o Simples no seu caso.
  4. Considere o crescimento projetado: se a loja cresce 30%/ano, antecipe a migração — depois custa mudar de regime no meio do ano.
  5. Avalie o custo da contabilidade: o gasto adicional do Real precisa ser menor do que a economia tributária pra valer.
  6. Decida em outubro/novembro: a opção entre regimes vale pelo ano todo.
O melhor regime tributário não é o que tem alíquota mais baixa no papel — é o que se aplica corretamente à sua operação real.

Perguntas frequentes

Lucro Real é só pra empresas grandes?

Não. É obrigatório acima de R$ 78 mi/ano de receita ou em algumas atividades específicas, mas pode ser opcional em qualquer faturamento. Em e-commerce, costuma valer a partir de ~R$ 150 mil/mês.

Posso voltar pro Simples se errar a escolha?

Sim, mas só na próxima janela anual (geralmente até 31 de janeiro). Por isso a decisão exige cuidado.

Vou pagar mais contador no Lucro Real?

Sim. Mas a economia tributária em operações com despesa dedutível alta supera o custo adicional. Numa simulação real é fácil ver o ponto de equilíbrio.

E se eu vendo em marketplace E em loja própria?

Some os dois cenários e pondere pela proporção de cada canal. Quem tem 70% em marketplace e 30% em loja própria geralmente tende ao Real. Quem tem proporção inversa pode ainda ter o Presumido como opção.

Tem como simular antes de mudar?

Sim — a MCO faz a simulação dos 3 regimes com seus números reais. Análise inicial é gratuita.

Quer simular os 3 regimes com seus números reais?

A MCO faz uma análise inicial gratuita comparando Simples Nacional × Lucro Real × Lucro Presumido lado a lado, considerando margem real, comissão de marketplace, DIFAL, ST e folha. Sem custo, sem compromisso.

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